Capa do post.

Crédito como alternativa para atravessar a crise

Estamos vivendo um momento único na economia mundial. E como ninguém sabe exatamente quando essa crise vai acabar, é importante se precaver. Com a quebra de demanda, um dos maiores riscos para as empresas é a falta de liquidez, ou seja, a falta de dinheiro em caixa para pagar funcionários, obrigações e outras contas empresariais.

Apesar de não sabermos quanto tempo a crise vai durar, sabemos que em algum momento ela vai acabar e, por isso, uma alternativa que deve ser levada em consideração para manter a sobrevivência da empresa é a captação de crédito.

Neste post, você vai ver:

  • Como saber se minha empresa precisa de crédito?
  • Dicas extras para a revisão dos custos
  • A pergunta decisiva para saber se você precisa de crédito
  • Você entendeu que precisa de crédito. O que fazer?
  • Quais são as instituições financeiras disponíveis
  • Taxas de juros e carência
  • Medidas emergenciais e linhas de crédito do Governo
  • Resumo em 5 passos

Como saber se minha empresa precisa de crédito?

Antes de saber sair por aí buscando crédito, é importante ter muito claro o seu planejamento financeiro. Isso significa:

  • Analisar os custos fixos e verificar onde é possível fazer cortes.
  • Analisar os custos variáveis de acordo com a demanda projetada para os próximos meses.
  • Identificar qual o percentual do faturamento corresponde aos seus custos fixos.
  • Realizar projeções de caixa considerando quedas de receita de 30%, 50% e 70% (essas taxas devem variar de acordo com cada negócio).

Para realizar essas análises, considere:

  • Quais são gastos essenciais e não essenciais para sua operação.
  • Quais ações realizar para a redução de custo em cada cenário de queda de receita.
  • Quanto custa fazer desligamentos e o tempo necessário para adaptação de novos contratados após a crise.
  • Após essa análise geral, acompanhe diariamente o seu fluxo de caixa para comparar com as suas projeções e tomar novas decisões, se necessário.

Dicas extras para a revisão dos custos

Como falamos de uma situação que será temporal, sugerimos alguns cuidados adicionais no planejamento em relação aos seus fornecedores e funcionários.

Os seus fornecedores muito provavelmente estão passando pelos mesmos dilemas, portanto, faça cancelamentos e renegociações somente quando necessário. Além disso, é importante manter a empatia e parceria no relacionamento, pois ele pode ser retomado após a crise. Por isso, explicar a situação e suas decisões com transparência é importante. Em geral, em parceiros mais próximos e diretos é possível ter uma margem de negociação.

Em relação aos funcionários, sugerimos que o corte seja a última medida a ser considerada. Afinal, além do valor das rescisões, você terá que recontratar pessoas após a crise, e existe um custo financeiro e de tempo tanto no processo seletivo, quanto no treinamento de novos funcionários. Sem considerar a dificuldade de encontrar pessoas qualificadas e de confiança.O governo já divulgou algumas medidas para apoio no pagamento de salários e redução de jornada. Abordamos este assunto nos tópicos seguintes.

A pergunta decisiva

A ideia de todas essas análises é responder a seguinte pergunta:

por quanto tempo consigo manter meus custos com essa queda de receita?

É essa resposta que vai mostrar a urgência da tomada de crédito. Se mesmo com a redução dos custos, sua empresa não tiver o equivalente a 2 meses de caixa, sugerimos que você busque opções de crédito.

É importante também analisar o mercado e as oportunidades disponíveis, já que o crédito tende a se tornar mais escasso neste momento. E, ao mesmo tempo, vale cuidar para não se endividar além do necessário.

Você entendeu que precisa de crédito. O que fazer?

Antes de solicitar crédito a bancos ou instituições de financiamento, veja:

1 - Há recursos do governo federal ou estadual disponíveis? Algumas mudanças na legislação costumam “dar um fôlego” na operação e quando há subsídio vindo do governo, ele tende a ter taxas de juros mais baixas. (Vamos abordar alguns dos recursos a seguir).

2 - Existe a possibilidade do seu “cliente te financiar”? No caso de empresas que trabalham com produção programada ou parcelamento de vendas, uma alternativa é tentar a antecipação desses pagamentos com seus clientes.

3 - Os sócios conseguem injetar mais capital no negócio? A integralização do capital social é uma possibilidade, mas aumenta a participação do sócio na empresa.

Casos essas soluções sejam inviáveis ou insuficientes, você deve buscar opções de crédito em instituições financeiras.

Quais são as instituições financeiras disponíveis

Bancos tradicionais

O caminho mais fácil é acionar o banco que já é seu parceiro de negócios, preferencialmente aquele em que você já movimenta as receitas vindas dos clientes e tem uma boa reputação. Você é cliente há tempo? É um ‘bom pagador’? Já utilizou o crédito anteriormente e quitou suas dívidas? É comum que os bancos levem em consideração o seu histórico na instituição. Além disso, a garantia solicitada e as taxas de juros tendem a ser mais baixas.

Abrir uma conta agora para conseguir um empréstimo é uma alternativa bem pouco provável, pois o banco sempre vai preferir proteger sua carteira de clientes.

Passo a passo e documentos

A maior parte dos bancos permite que você faça simulações de crédito online. Verifique o site do seu banco. Após escolher qual linha de crédito faz sentido para você, entre contato com o seu gerente e negocie as taxas.

Em geral, os documentos necessários para obtenção do crédito são:

- Relação de faturamento

- Balanço patrimonial do último exercício.

- DRE.

- Documentos da garantia.

- Documentos dos sócios (IR, documentos pessoais).

Outra dica importante é que você não deixe de procurar o seu contador neste processo. Ele deve ser um dos seus principais apoios, tanto para organização das documentações necessárias, quanto para apresentar possíveis soluções do governo.

Instituições de crédito

Além dos bancos, também há empresas de financiamento que usam bens como garantia. Neste tipo de empréstimo, você coloca um bem como um carro ou um imóvel como garantia e solicita o empréstimo, mesmo sem um relacionamento prévio com a instituição.

Este tipo de crédito tem como pontos positivos a facilidade e praticidade do empréstimo. Se você não tem bom relacionamento com o seu banco, essas instituições são o melhor caminho. De qualquer forma, normalmente há alguns requisitos a serem seguidos:

  • O valor solicitado não pode passar de 90% do valor do bem colocado como garantia.
  • A parcela do empréstimo não pode ultrapassar 30% do faturamento mensal.
  • O bem deve estar no nome do solicitante.

Em geral, as instituições farão uma análise do seu score e vão precisar dos seguintes documentos pessoais e do bem colocado em garantia.

Entendendo a necessidade de tantas empresas, a Mercos realizou uma parceria com a Creditas, e conseguiu taxas de empréstimos diferenciadas para seus clientes. Os juros são a partir de 0,89% por mês, com carência de até 60 dias e até 60 meses para pagar. Para solicitar uma simulação e ter mais informações, acesse: mercos.com/credito.

Taxas de juros e carência

Quando falamos em financiamento, não existe uma taxa de juros “ideal”. Tudo depende da necessidade do momento e das características da empresa. Antes de captar o crédito, simule como serão os pagamentos para ter certeza que sua empresa conseguirá pagar.

Assim, considerando um crescimento padrão de 15% ao ano, o ideal seria buscar uma taxa de juros de aproximadamente 2% ao mês. Já que se tratam de juros compostos.

Em relação ao prazo para início do pagamento, o melhor cenário seria de uma carência de 6 meses, para ter um tempo adequado de retomada da economia. Porém, no momento atual, as condições de crédito não são as melhores, e, em geral, os bancos estão trabalhando sem carência e com pagamento em 12 meses.

Vale lembrar que quando há carência, os juros seguem rodando sobre o montante no período sem pagamento previsto.

Medidas emergenciais e linhas de crédito do Governo

Como comentamos, a melhor opção, com as menores taxas de juros e carência, normalmente são as linhas de crédito oferecidas pelo governo. Hoje, temos duas opções disponíveis a nível nacional.

Linha de Capital de Giro do BNDES

O BNDES liberou um total de R$5 bilhões em empréstimos para pequenas e médias empresas. Algumas informações sobre esse crédito:

  • Por ser linha de capital de giro, a empresa não precisa especificar o destino dos recursos.
  • Podem solicitar o crédito de micro empresas até empresas com R$300 milhões de faturamento anual
  • Carência de até 24 meses
  • Prazo para pagamento de 60 meses
  • Limite de R$70 milhões por cliente.
  • Acesso a esse crédito deve ser feito por meio dasinstituições credenciadas.
  • Normalmente, os bancos do governo (Caixa e Banco do Brasil) têm acesso mais fácil a esse recurso.

Para mais informações, clique aqui.

Linha de apoio à folha de pagamento

O governo liberou um total de R$40 bilhões para auxiliar o pagamento de funcionários.

Algumas informações sobre esse crédito:

  • A taxa de juros é de 3,75% ao ano, com financiamento em até 3 anos.
  • O empréstimo cobre até 2 salários mínimos dos funcionários, por 2 meses. Caso o funcionário ganhe mais que este valor, fica a critério da empresa pagar a diferença ou negociar uma redução salarial e de jornada junto ao sindicato.
  • O valor cairá diretamente na conta dos funcionários.
  • Todos os bancos já têm acesso a esse crédito, mas como ele envolve a folha de pagamento, é mais fácil fazer a solicitação para o banco em que você opere a folha de pagamentos.
  • Podem solicitar o crédito as empresas com faturamento entre R$360 mil e R$10 milhões por ano
  • Por 2 meses a empresa não poderá demitir os funcionários com salários financiados.

Para mais informações, clique aqui.

Linhas de bancos estaduais

Os estados também possuem os seus bancos de fomento e costumam distribuir linhas de crédito emergenciais. Verifique os bancos do seu estado e informe-se sobre estes recursos.

Assim como as linhas de crédito do governo federal, os financiamentos de bancos regionais de fomento também são acessadas por meio dos bancos privados tradicionais.

Férias coletivas e adiamento do FGTS

A Medida provisória 927, lançada durante o mês de março, apesar de não oferecer linha de crédito, também auxilia nas finanças das empresas.

Algumas definições da MP:

- O recolhimento do FGTS pelo empregador fica suspenso por 3 meses, e deve ser pago em até 6 parcelas após este período.

- Passa a ser permitida a antecipação de férias, mesmo que o funcionário ainda não tenha este direito. Elas podem ser concedidas e descontadas depois.

- O aviso dessas férias passa a ser em 48 horas, ao invés dos tradicionais 30 dias.

- As regras para férias coletivas também estão mais brandas, sem limite mínimo de dias corridos, nem limite máximo de em que as férias podem ser parceladas.

- O comunicado das férias coletivas ao sindicato profissional e ao Ministério da Economia também deixa de ser necessário.

- Feriados não religiosos e religiosos, também pode ser adiantados mediante o aceite do empregado.

- O banco de horas também pode ser utilizado em acordo individual, com prazo de 18 meses para compensação.

Redução de jornada e de salário e suspensão de contrato

No dia 1º de abril, o governo anunciou a Medida Provisória 936 que autoriza a redução de jornada e também dos salários dos funcionários. A redução pode ser de 25%, 50% ou 70% da jornada e o governo irá complementar o valor com recursos do seguro desemprego. As principais condições são:

  • Preservação do valor do salário-hora de trabalho.
  • Prazo máximo de 90 dias, durante o estado de calamidade pública.
  • O acordo entre empregador e funcionário deve ser encaminhado com pelo menos 2 dias de antecedência.
  • O empregado que tiver a redução deve ter garantia provisória do seu emprego após o retorno das atividades. Por exemplo, se houve redução durante 2 meses, ele deve ter estabilidade de mais dois meses após a retomada das atividades.
  • O salário reduzido não pode ser menor que o equivalente a um salário mínimo.
  • Possibilidades de redução e compensação do governo:

Além da medida de redução, também foi possibilitada a suspensão de trabalho com pagamento do seguro desemprego pelo governo.

  • O prazo máximo para suspensão é de 60 dias.
  • O acordo deve ser feito entre empregador e empregado, com antecedência de pelo menos dois dias.
  • Durante o período de suspensão, o empregador deve manter os benefícios ao contratado e o empregado não pode trabalhar de forma alguma para a empresa.
  • Assim como no caso da redução de jornada, o empregado que tiver a suspensão deve ter garantia provisória do seu emprego após o retorno das atividades.
  • Para empresas com receita bruta até R$4,8 milhões, o seguro desemprego será concedido integralmente ao empregado.
  • Para empresas com receita bruta acima de R$4,8 milhões, a empresa deve pagar uma ajuda compensatória mensal ao funcionário no valor de 30% do seu salário e será concedido 70% do valor do seguro desemprego pelo governo.

Sugerimos que você converse com o seu contador para uma melhor clareza das decisões do governo que podem impactar o seu negócio.

Resumo em 5 passos

Para resumir tudo que falamos aqui, siga estes cinco passos: